Trump
As recentes decisões de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, voltaram a sacudir o comércio internacional e já começam a gerar preocupações — e também expectativas — no setor de energia solar do Brasil.
O pacote de tarifas de importação anunciado pelo governo norte-americano é considerado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) como altamente protecionista e com potencial de criar efeitos macroeconômicos negativos por aqui.
Assim, as novas tarifas incluem 25% sobre todas as importações de aço e alumínio e atingem países estratégicos como Brasil, Canadá e México. Na prática, a medida pode gerar valorização do dólar frente ao real, encarecendo insumos, peças e equipamentos usados em projetos de energia solar, armazenamento e hidrogênio verde no Brasil.
Segundo a Absolar, a alta do câmbio e o aumento de preços nos EUA podem acabar refletindo diretamente no custo final de projetos fotovoltaicos nacionais.
Apesar do cenário de risco, especialistas em comércio exterior enxergam também uma oportunidade. Com as tarifas tornando produtos menos competitivos no mercado americano, parte dessa produção pode ser redirecionada para outros destinos — incluindo o Brasil, aumentando a oferta de módulos solares, inversores e baterias por aqui.
Além disso, empresas norte-americanas podem buscar novos mercados para investir, fugindo das barreiras internas. Para o Brasil, isso pode significar atração de capital estrangeiro em setores estratégicos, como hidrogênio verde, data centers e eletrificação, todos com forte demanda por geração renovável.
A Absolar lembra que, no primeiro mandato de Trump, medidas semelhantes já haviam sido tomadas — e, mesmo assim, tanto o mercado americano quanto o brasileiro continuaram crescendo. O especialista Rodrigo Borges, da Aurora Energy Research, vai além: ele acredita que o Brasil pode se tornar um polo de exportação de hidrogênio verde e diesel renovável, estimulando investimentos em baterias e energia solar para suprir essa produção.
Desde março, a disputa comercial entre EUA e China só aumentou. Em resposta às medidas de Trump, a China elevou tarifas sobre produtos americanos para 125%, e os EUA retaliaram com a mesma intensidade. O embate entre as duas maiores economias do mundo gera incerteza, volatilidade e já impacta o Brasil: o dólar oscilou entre R$ 5,80 e R$ 6,10 em apenas dois dias.
Com juros a 14,25%, o país enfrenta um cenário macroeconômico mais pesado, mas que, paradoxalmente, pode abrir espaço para oportunidades estratégicas — se houver preparo para aproveitá-las.
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