Notícias

Energia solar com desmatamento? Protestos crescem contra parque que ameaça a caatinga na Bahia

Sob o sol forte da Chapada Diamantina, moradores de Uibaí (BA) se reuniram para o 3º Grito do Boqueirão — um protestos que tem nome poético, mas carrega um grito urgente contra o avanço do desmatamento em nome da energia solar. O alvo desta vez: o projeto da multinacional norueguesa Statkraft, que pretende instalar 1,3 milhão de painéis solares entre Uibaí e Ibipeba, em uma área com vegetação nativa de caatinga.

Mais de 450 hectares já foram desmatados


Mesmo com a região enfrentando estiagens severas e risco de desertificação, a empresa já obteve licença de instalação para desmatar 454 hectares, o equivalente a quase três Parques Ibirapuera. Ao todo, o licenciamento prévio permite devastar até 1.554 hectares, o que acendeu o alerta entre ambientalistas, agricultores e comunidades tradicionais.

Árvores nativas derrubadas onde já havia reflorestamento


A ONG Umbu, que atua há anos na preservação local, afirma que 8 mil árvores nativas foram plantadas justamente na área agora devastada. “É um contrassenso: plantamos para recuperar o solo e o ciclo das chuvas… e agora assistimos tudo ser destruído com aval do Estado”, diz Edimário Oliveira, presidente da ONG.

Impactos ignorados e comunidades sem consulta


O Ministério Público da Bahia chegou a suspender o desmatamento em novembro de 2024 por falta de estudos ambientais, espécies ameaçadas não consideradas e ausência de consulta prévia às comunidades quilombolas e de fecho de pasto. Mas a decisão foi revertida por 90 dias — e nesse intervalo, a empresa avançou com a supressão da vegetação.

Líderes comunitários denunciam que o avanço do empreendimento tem afugentado a fauna local, secado riachos e reduzido o espaço para agricultura e pecuária de subsistência. “A Statkraft diz que vai reflorestar, mas em outro lugar. E nós, que sofremos os impactos, ficamos com o prejuízo”, desabafa Adelmiro de Oliveira, morador da serra ocupada pela empresa.

Alternativas sustentáveis foram ignoradas


ONGs e comunidades sugeriram à empresa o uso de áreas já desmatadas e improdutivas, onde o parque solar poderia ser instalado sem derrubar mais vegetação nativa. A proposta não foi acatada. Para Edimário, a crítica não é contra a energia limpa, mas contra a forma como ela está sendo implementada: “Energia renovável não pode servir de pretexto para a destruição ambiental e o apagamento das comunidades tradicionais”.

Veja mais Notícias

Conheça o Azume

Camila F. Araújo

Camila é artista digital, designer e profissional de marketing. Faz parte da equipe da marketing da E4 Energias Renováveis e é técnica em Design de Animação.

Recent Posts

Escalar Vendas de Sistemas Fotovoltaicos com CRM Especializado

Mercado de Energia Solar O mercado brasileiro de geração distribuída de energia solar tem experimentado…

3 meses ago

Cresce busca por assinaturas de energia solar no Brasil

Conceito de Energia Solar por Assinatura   A energia solar por assinatura é um modelo…

4 meses ago

Novas tecnologias impulsionam avanços na energia solar

mercado de energia solar   O mercado de energia solar no Brasil tem experimentado um…

4 meses ago

Energia Solar: Reduzindo Custos e Atrair Famílias

Economia e Redução de Custos   A energia solar é uma solução eficaz para reduzir…

4 meses ago

Energia Solar em Sergipe: Oportunidades e Desenvolvimento

Mercado de Energia Solar em Sergipe O mercado de energia solar em Sergipe está em…

5 meses ago

Top 5 Melhores Inversores Solares para Energia Renovável

Introdução aos Inversores Solares Os inversores solares são dispositivos fundamentais na geração de energia solar,…

5 meses ago

This website uses cookies.