A aviação brasileira acaba de dar um passo inédito rumo à inovação e à sustentabilidade. A ANAC homologou o uso de um sistema de balizamento aeroportuário movido a energia solar e baterias, implantado nos aeroportos de Tabatinga e Tefé, no Amazonas. A aprovação abre caminho para uma nova fase na infraestrutura aeroportuária do país.
Essenciais para orientar pousos, decolagens e o deslocamento de aeronaves, principalmente à noite e em situações de baixa visibilidade, os sistemas de balizamento são peças-chave da segurança operacional. Agora, essa estrutura passa a operar com uma tecnologia inédita no Brasil, que substitui o modelo convencional por uma solução mais eficiente, autônoma e com menor impacto energético.
Nos dois aeroportos, foram instaladas 200 luminárias solares, distribuídas entre pistas, taxiways e áreas de movimentação de aeronaves. De acordo com as informações do projeto, os equipamentos têm vida útil superior a 20 anos e podem reduzir em até 95% o consumo de energia elétrica em comparação com os sistemas tradicionais.
Segundo Frederico Mascarenhas, gerente MEP da VINCI Airports no Brasil, uma das principais vantagens do modelo é sua estrutura descentralizada. Como cada luminária funciona de forma independente, uma eventual falha em um ponto não compromete o restante do sistema. Além disso, a manutenção é mais simples e segura.
Outro ganho importante está na eliminação do cabeamento de 3,6 kV, comum no sistema convencional. Com isso, o projeto também reduz a exposição dos trabalhadores ao risco de choque elétrico durante operações e manutenções.
Mascarenhas explica que cada luminária conta com um sistema próprio de carregamento, bateria individual e um módulo fotovoltaico de 20 W, permitindo funcionamento autônomo. O conjunto utiliza luminárias de LED que atendem às exigências de cromaticidade previstas nas normas nacionais e internacionais da aviação.
A comunicação entre as unidades acontece por meio de uma rede mesh via radiofrequência, o que garante o controle e a sincronização das luzes sem necessidade de infraestrutura física de comunicação. Esse modelo também amplia a resiliência da operação, já que falhas pontuais não afetam o desempenho global do sistema.
Além dos benefícios operacionais, a solução reduz a dependência de combustíveis fósseis e ajuda a diminuir os custos energéticos dos aeroportos, reforçando o potencial da energia solar também em aplicações críticas de infraestrutura.
Homologação veio após testes regulatórios
A aprovação da ANAC ocorreu após 12 meses de testes em sandbox regulatório, mecanismo usado para validar tecnologias ainda não contempladas pela regulamentação atual. Durante esse período, a agência acompanhou o desempenho do sistema com base em relatórios técnicos, histórico de falhas e certificações de conformidade.
Até então, as regras exigiam que os sistemas de balizamento contassem com duas fontes distintas de energia, o que, na prática, dificultava a adoção de modelos baseados exclusivamente em energia solar. O sandbox permitiu justamente testar essa limitação em ambiente controlado e comprovar a confiabilidade da nova solução.
Com a homologação concluída, a expectativa agora é que a ANAC avance na atualização das normas, seja por meio de uma Instrução Suplementar ou pela revisão do RBAC 154, o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil. Se isso acontecer, a tecnologia poderá ser adotada futuramente em outros aeroportos do país.






Respostas de 2
Bom dia,
alguém poderia confirmar qual equipamento foi utilizado durante o período de Trial? Gostaria de obter informações completas e precisas sobre a configuração do sistema, incluindo os dispositivos utilizados e as suas especificações.
Ficarei grata por quaisquer detalhes disponíveis ou pela indicação da pessoa responsável por esta informação.
Uma solução muito interessante e inovadora. Tive a oportunidade de ver na prática um sistema completo de AGL da S4GA (fornecedora desta tecnologia) no México e fiquei muito impressionada com a sua construção bem pensada. É particularmente impressionante a abordagem baseada em unidades solares independentes, que aumentam significativamente a segurança e simplificam a manutenção. Estou ansiosa para ver o desenvolvimento contínuo desta tecnologia também no nosso belo Brasil.