Calor. Com dias mais longos e sol mais intenso, o verão costuma ser associado a uma produção maior de energia solar no Brasil. Mas o que parece vantagem nem sempre se traduz em mais eletricidade na prática. As altas temperaturas típicas da estação podem reduzir a eficiência dos sistemas fotovoltaicos, mesmo em períodos de radiação elevada.
De acordo com o Atlas Brasileiro de Energia Solar, do Inpe, a radiação solar aumenta entre 5% e 20% nos meses mais quentes em várias regiões do país. Ainda assim, esse ganho pode ser parcialmente anulado quando a temperatura dos módulos ultrapassa o nível ideal de operação, que gira em torno de 25 °C.
“O painel precisa de muita luz, mas não de calor excessivo. Quando a temperatura sobe, a resistência interna do semicondutor aumenta, a tensão diminui e a geração de energia cai”, explica Michele Rodrigues, professora de Engenharia Elétrica da FEI.
Os efeitos do calor não são uniformes pelo país. No Nordeste e no Centro-Oeste, onde a irradiância é mais intensa, as perdas térmicas costumam ser maiores. No Sudeste, o aumento da radiação ajuda a compensar parte do impacto do calor, enquanto no Sul, com temperaturas mais amenas, o desempenho dos sistemas tende a ser mais estável ao longo do verão.
Em instalações com pouca ventilação, especialmente em telhados, os módulos podem atingir temperaturas entre 70 °C e 85 °C. Além da queda de eficiência, esse cenário acelera o desgaste dos materiais e favorece o surgimento de microtrincas e hot spots, reduzindo a vida útil dos equipamentos.
Para minimizar esses efeitos, a recomendação é investir em um bom projeto de instalação. Estruturas mais elevadas, que permitam circulação de ar atrás dos painéis, inversores instalados em locais sombreados e a limpeza periódica dos módulos ajudam a preservar o desempenho dos sistemas solares, mesmo sob o calor intenso do verão brasileiro.





