Carro solar _ O que parecia promessa distante começa a ganhar forma nas linhas de montagem. A Aptera Motors, startup dos Estados Unidos, colocou em pré-produção seu carro movido a energia solar e afirma já ter acumulado quase 50 mil reservas do modelo, volume que pode representar mais de US$ 2 bilhões em receita potencial.
Batizado com o mesmo nome da empresa, o Aptera foi projetado para enfrentar justamente o maior obstáculo dos veículos solares: a dificuldade de gerar, por meio de placas fotovoltaicas, energia suficiente para mover um carro elétrico convencional. Em vez de tentar aumentar indefinidamente a geração, a empresa seguiu outro caminho: reduziu drasticamente o consumo do veículo.
O resultado é um modelo extremamente leve e aerodinâmico. A carroceria utiliza, em grande parte, fibra de carbono, com aplicação de fibra de vidro especial em algumas partes. Bancos, telas e outros componentes também foram desenvolvidos com foco em redução de peso, fazendo com que o veículo tenha cerca de 1.000 kg — praticamente metade da massa de muitos elétricos atuais.
A eficiência também aparece no design. O Aptera adota formato de triciclo, com rodas cobertas e carroceria curvilínea, alcançando um coeficiente aerodinâmico de 0,13, índice raríssimo na indústria automotiva. Essa combinação permitiu chegar a um consumo estimado de 16 km/kWh, acima de modelos compactos do mercado, como o BYD Dolphin Mini, que rende cerca de 10 km/kWh.
O carro traz aproximadamente 700 W em células solares integradas, com promessa de adicionar até 64 km de autonomia por dia apenas com recarga solar e chegar a 17.600 km por ano em condições favoráveis, especialmente em regiões mais ensolaradas.
Na prática, a energia captada pelos painéis pode alimentar diretamente o sistema de tração, mas, na maior parte do tempo, ela é enviada para a bateria de 40 kWh, que concentra boa parte da capacidade energética do veículo.
Na configuração atual, o Aptera Launch Edition será um modelo elétrico de dois lugares, com tração dianteira, aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 6 segundos e velocidade máxima de 160 km/h. A versão inicial deve custar cerca de US$ 40 mil.
A empresa também já projeta versões futuras com autonomia ainda mais ambiciosa, podendo chegar a 1.600 km de alcance.
Apesar do entusiasmo em torno do projeto, a startup ainda enfrenta desafios financeiros. Na semana passada, a Aptera informou um prejuízo líquido de US$ 43,9 milhões em 2025. Mesmo assim, aposta no forte interesse do mercado para sustentar a próxima fase do negócio.
O plano agora é concentrar a produção nos primeiros 5 mil veículos da configuração atual, antes de avançar para variantes de maior alcance. A estratégia comercial prevê vendas diretas ao consumidor, fabricação no sul da Califórnia, além de centros regionais de pré-entrega e atendimento móvel nos Estados Unidos, mercado em que o modelo será lançado inicialmente.





