Clientes registram BO contra empresa de energia solar em Boa Vista

energia solar

O que deveria representar economia na conta de luz e mais autonomia energética virou motivo de revolta para consumidores em Boa Vista. Um grupo de clientes da Pastore Energia Solar procurou a polícia e denunciou supostos atrasos na instalação de sistemas fotovoltaicos, prejuízos financeiros e falta de retorno da empresa, mesmo após pagamentos à vista e financiamentos que chegam a R$ 30 mil.

A reportagem da FolhaBV esteve na sede da empresa na tarde de segunda-feira (11) e encontrou consumidores cobrando explicações do proprietário. A movimentação foi acompanhada pela Polícia Militar, acionada para atender a ocorrência. Segundo os relatos, o empresário não teria aceitado conversar com todos os clientes ao mesmo tempo e preferiu propor atendimentos individuais.

Os consumidores afirmam ainda que a empresa continua fechando novos contratos, apesar das reclamações e dos serviços pendentes com clientes antigos.

Cliente diz esperar há mais de um ano pelo sistema

Um dos casos relatados é o de Welker Fernandes, que afirma aguardar há mais de um ano e dois meses pela conclusão do sistema contratado.

Segundo ele, o contrato foi assinado em 30 de maio de 2025 para a instalação de um gerador fotovoltaico de 17,10 kWp, no valor de R$ 30 mil. Documentos obtidos pela reportagem indicam prazo de 60 dias para conclusão do serviço, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias em situações previstas contratualmente.

Apesar disso, Welker afirma que o sistema segue sem funcionar. Segundo ele, parte do material foi instalada no imóvel, mas a estrutura nunca entrou em operação.

Além do atraso, o consumidor afirma que continua pagando as parcelas do financiamento contratado para viabilizar o projeto, ao mesmo tempo em que segue arcando normalmente com a conta de energia.

Welker também relatou que, após o vencimento do prazo, a empresa teria prometido pagar temporariamente as contas de luz dos clientes afetados, mas esses pagamentos teriam sido interrompidos depois de março. Ele ainda afirma que o serviço deixou goteiras no telhado de sua casa, causando transtornos adicionais durante o período de chuvas.

Outros clientes relatam pagamentos à vista e falta de resposta

Outro caso citado é o de Emily Silva, que afirma que sua família contratou a empresa em setembro de 2025 para instalar 16 placas solares. Segundo ela, foram pagos R$ 20 mil à vista, com prazo inicial de 60 dias, depois ampliado para 90 dias e mais 15 dias, sem solução.

Emily relata que a família tentou várias vezes resolver o problema diretamente na empresa, mas não obteve devolução do dinheiro nem conclusão do serviço. Segundo ela, durante a reunião com o proprietário, familiares ouviram que a empresa estaria enfrentando prejuízos milionários e dívidas com diversos credores.

De acordo com os consumidores, pelo menos 40 clientes poderiam estar na mesma situação em Boa Vista.

Casos já chegaram à Delegacia do Consumidor

Parte dos clientes já registrou boletins de ocorrência na Delegacia de Defesa do Consumidor. Um dos BOs citados pela reportagem relata a compra de um kit gerador de 12,87 kWp, no valor de R$ 21 mil pagos à vista. O documento aponta que a instalação deveria ter sido concluída em até 90 dias, o que não aconteceu, levando a uma nova previsão para julho deste ano.

A ocorrência foi registrada com base no artigo 7º, inciso VII, da Lei 8.137/1990, que trata da indução do consumidor ao erro por meio de informação falsa ou enganosa sobre a natureza, qualidade ou prestação de serviço.

Durante a permanência da reportagem no local, clientes afirmaram que o proprietário atribuiu os atrasos a dificuldades financeiras, problemas com fornecedores e entraves logísticos.

O que diz a empresa

Em nota enviada à FolhaBV, a Pastore Energia Solar afirmou que os contratos mencionados estão sendo analisados e tratados individualmente, levando em conta as condições específicas de cada caso, além de fatores técnicos, operacionais e logísticos.

A empresa declarou ainda que os contratos costumam prever prazo estimado de 90 dias para instalação, mas que esse período depende de etapas administrativas, entrega de equipamentos e processos técnicos necessários à execução dos serviços.

Segundo a nota, eventuais reprogramações vêm sendo comunicadas diretamente aos clientes e há previsão de execução, em pelo menos um dos casos mencionados, para julho de 2026. A empresa afirma que não permaneceu inerte e que segue adotando providências para concluir as instalações.

A Pastore também declarou que mantém canais de comunicação ativos, trabalha para regularizar as demandas relatadas e continua aberta a negociações individualizadas com os consumidores.

Ao final, a empresa afirmou que não aceitará a divulgação de informações que considere incompletas, distorcidas ou ofensivas à sua honra e imagem, e sinalizou a possibilidade de adotar medidas judiciais em caso de conteúdos que considere inverídicos ou descontextualizados.

O caso reforça um alerta cada vez mais recorrente no setor solar: em um mercado em expansão, atrasos, falhas de entrega e promessas não cumpridas têm gerado insegurança entre consumidores e pressionado a reputação de empresas e integradores.

Veja mais Notícias

Conheça o Azume

Compartilhe esta notícia:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Inscreva-se para receber novidades e promoções

© 2023 · E4 Energias Renovaveis© – CNPJ 41.142.800/0001-24 / Azume Tecnologia LTDA - CNPJ 49.305.545/0001-03 - Todos os direitos reservados