Enquanto muitos jovens de 18 anos pensam no primeiro emprego ou na faculdade, Manoel José, de Teresina (PI), decidiu enfrentar um problema que afeta milhares de famílias ribeirinhas: a contaminação dos rios. A solução que ele criou parece coisa de filme futurista — um barco autônomo movido a energia solar, capaz de monitorar a qualidade da água 24 horas por dia e ajudar na preservação ambiental.
Batizado de Aquatic Rover, o barco-robô começou a ser desenvolvido em 2023, após Manoel visitar uma comunidade de pescadores e ouvir relatos sobre como a poluição — e até o excesso de aguapés — estava prejudicando a pesca e dificultando a navegação. “Pensei: se existe carro que anda sozinho, por que não um barco que monitora o rio sozinho?”, contou.
Utilizando baterias recicladas e um sistema fotovoltaico, o robô faz varreduras automáticas no rio, detecta pontos de contaminação e gera dados que ajudam no combate à poluição. Em 2024, Manoel fez o primeiro teste oficial no Rio Poti e já identificou três focos críticos de esgoto despejado na água.
A ideia nasceu simples, virou protótipo e hoje está prestes a se transformar em produto real, com apoio do poder público. E não foi só isso: com o Aquatic Rover, Manoel venceu o Prêmio Nobel de Ciência Jovem, representou o Brasil no exterior e agora cursa Engenharia Elétrica na UESPI — o curso dos seus sonhos.
Mesmo com reconhecimento internacional, ele faz questão de reforçar: “Eu quero primeiro mudar a minha comunidade.”
Um projeto movido a energia solar, inovação e propósito — e que pode transformar a vida de quem depende dos rios para sobreviver.





