Pesquisadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, anunciaram um avanço que pode acelerar a produção em larga escala de combustível sustentável para aviação (SAF). A nova tecnologia utiliza energia solar para fabricar o combustível e reduz a dependência de matérias-primas tradicionais, como o óleo de cozinha usado, hoje bastante empregado nesse tipo de produção.
A novidade foi apresentada em 30 de março por uma equipe internacional de engenheiros, que desenvolveu um processo capaz de capturar dióxido de carbono (CO2) diretamente do ar, combiná-lo com hidrogênio e usar energia solar concentrada para aquecer a mistura e gerar o combustível.
O estudo aponta que a solução tem potencial para sair do campo experimental e avançar para uma escala industrial, um dos principais gargalos atuais do SAF. Embora aeronaves comerciais modernas já consigam operar parcialmente com esse combustível, a infraestrutura global ainda é insuficiente para atender uma adoção mais ampla.
Segundo a professora Meihong Wang, líder da pesquisa, um dos grandes desafios da expansão do SAF está justamente em garantir matéria-prima em volume suficiente sem recorrer a fontes fósseis. De acordo com ela, o método proposto oferece uma rota renovável e escalável, além de contribuir para a redução do consumo de eletricidade e para o fortalecimento de uma lógica de economia circular.
A pesquisa foi desenvolvida em parceria com a East China University of Science and Technology e aperfeiçoa uma técnica chamada DACCU — sigla para Captura Direta de Ar e Utilização de CO2 — que ainda está em desenvolvimento.
O diferencial mais relevante do novo método está na substituição do combustível fóssil normalmente usado no aquecimento das reações químicas pela energia solar concentrada. Essa mudança pode reduzir custos de produção para cerca de US$ 4,62 por quilo, abaixo dos US$ 5,6 por quilo registrados nos métodos convencionais.
Além de melhorar a sustentabilidade do processo, a redução no custo pode aumentar a competitividade do SAF em relação aos modelos já existentes, aproximando a tecnologia de uma aplicação comercial mais robusta.
Os pesquisadores também identificaram cinco países com forte potencial para receber plantas industriais de SAF solar: Estados Unidos, Chile, Espanha, África do Sul e China. A escolha leva em conta fatores como alta incidência de radiação solar, menor custo do hidrogênio e disponibilidade de terras.
O trabalho foi publicado na revista científica Nature Communications, em artigo intitulado “Solar-driven direct air capture to produce sustainable aviation fuel”.





