No meio do sertão baiano, uma estrutura gigantesca está transformando não apenas o cenário da energia limpa, mas também o próprio clima da Caatinga. Estamos falando do Complexo Solar Futura, da Eneva — uma usina solar brasileira com mais de 1,4 milhão de painéis fotovoltaicos que fornece energia para cerca de 1,7 milhão de pessoas e, de quebra, está criando um microclima inédito no Nordeste.
Instalada em Juazeiro (BA), essa “floresta de aço” ocupa uma área equivalente a 1.600 campos de futebol. Mas o mais impressionante é o que acontece sob seus painéis: a sombra permanente diminui a temperatura do solo e reduz a evaporação, tornando o ambiente mais úmido e ameno — um verdadeiro fenômeno climático no coração do semiárido brasileiro.
Apesar da remoção da vegetação nativa durante a construção (impacto classificado como “permanente” pela própria empresa), a fase de operação traz uma chance inédita de regeneração ambiental. A combinação de sombra e umidade já começa a permitir o retorno de vegetação rasteira da Caatinga, apontando para uma possível convivência entre tecnologia e ecossistema nativo.
Com capacidade de 837 MWp e contratos de energia já fechados antes mesmo da inauguração, o complexo movimenta mais de R$ 4 bilhões em receita, abastecendo grandes indústrias como a White Martins. E tem mais: só sua entrada em operação aumentou em 8% a capacidade solar nacional em 2023.
O futuro do projeto é ainda mais ambicioso: com as fases Futura II e III, a Eneva pretende dobrar a capacidade do parque, somando mais 2,3 GW ao sistema. Ainda sem data definida, essa expansão dependerá do mercado — mas pode colocar Juazeiro no mapa global da energia solar.
No sertão, onde o sol castiga o solo, agora ele também dá sombra, cria vida e alimenta o país com energia limpa.





