Cinco das maiores fabricantes de energia solar da China encerraram o primeiro semestre de 2025 no vermelho — um sinal claro de que o setor enfrenta uma das maiores turbulências de sua história recente. Tongwei, Longi, Trina Solar, JA Solar e TCL Zhonghuan divulgaram perdas expressivas, impactadas por uma combinação explosiva: excesso de capacidade produtiva, guerra de preços e desaceleração na demanda global.
A Tongwei Co. Ltd. liderou o ranking das perdas, com um prejuízo de quase 5 bilhões de yuans (cerca de R$ 3,8 bilhões) — um salto negativo em relação aos R$ 2,35 bilhões no mesmo período de 2024. A Trina Solar, por sua vez, viu seu desempenho virar do avesso: de um lucro de 526 milhões de yuans em 2024 para um prejuízo de 2,9 bilhões de yuans em 2025.
Enquanto isso, empresas como Longi e JA Solar também registraram resultados negativos, ainda que a Longi tenha conseguido reduzir suas perdas graças a melhorias operacionais. No entanto, a empresa alertou para um “período de transição doloroso”, caracterizado por desequilíbrios estruturais entre oferta e demanda.
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Por que o setor está sangrando?
A crise tem raízes profundas: desde meados de 2024, os preços dos principais componentes solares — como módulos, células e wafers de silício — caíram para níveis abaixo do custo de produção. Para empresas que dependem da escala para manter a rentabilidade, isso significou o colapso das margens de lucro.
O mercado internacional também virou um fator de risco. A queda na demanda em mercados como Europa e América do Norte, somada a barreiras comerciais, afetou diretamente as exportações chinesas. Isso agravou o excesso de oferta no mercado interno, intensificando a disputa de preços entre empresas.
Governo tenta conter colapso
Diante do cenário crítico, Pequim agiu. Em agosto, o governo reuniu seis órgãos estatais para discutir medidas emergenciais. Entre as propostas estão o combate à venda abaixo do custo e o fortalecimento da regulação para evitar práticas desleais.
Além disso, a Associação da Indústria Fotovoltaica da China propôs a criação de uma joint venture para comprar 700 mil toneladas de capacidade excedente de empresas concorrentes. A ideia é retirar esse volume do mercado e, assim, frear a queda nos preços. No entanto, o plano ainda está em fase inicial e detalhes cruciais como estrutura acionária e valores de compra permanecem indefinidos.
A produção segue crescendo
Apesar das perdas, a produção não desacelera. Em julho de 2025, a fabricação de polissilício cresceu 5,7% em relação ao mês anterior — com previsão de crescimento adicional de 16% em agosto. Esse avanço contínuo da oferta, sem demanda equivalente, apenas prolonga a crise e empurra os preços ainda mais para baixo.
Saída pela consolidação e inovação
Especialistas apontam que a consolidação do setor é inevitável. Fusões, parcerias e aquisições estratégicas podem reduzir a competição predatória, aumentar a escala de produção e incentivar o investimento em tecnologias mais avançadas.
A diversificação de mercados, o foco em armazenamento de energia, melhoria da eficiência dos sistemas solares e novas políticas públicas serão essenciais para que as empresas superem essa fase difícil.
O futuro ainda é promissor?
Embora o momento atual seja desafiador, o histórico da indústria solar chinesa mostra que o setor já superou outras crises semelhantes. Com inovação tecnológica, revisão estratégica e apoio governamental, há espaço para recuperação.
A longo prazo, a demanda por energia limpa continuará crescendo, e a China, como líder global em energia solar, segue bem posicionada para aproveitar essa transição energética — desde que saiba navegar este momento turbulento com inteligência e agilidade.





