O curtailment — cortes forçados na geração de energia — deu sinais de trégua no quarto trimestre de 2025, mas continua em patamares elevados e longe de uma normalização. É o que mostra uma análise do BTG Pactual, que aponta uma desaceleração no ritmo dos cortes no fim do ano, sem eliminar os impactos relevantes sobre o setor elétrico.
Na geração solar, o curtailment médio ficou em 24,5% entre outubro e dezembro. O número representa melhora frente ao trimestre anterior, quando os cortes ultrapassaram os 30%, mas ainda está muito acima dos níveis registrados em 2024. Dezembro foi o mês menos pressionado, com 15,9%, após 25,0% em novembro e 32,2% em outubro.
Entre as empresas mais afetadas pelos cortes na solar, destacam-se Alupar (39,5%), Equatorial Energia (38,0%), Auren Energia (30,0%) e Eneva (26,0%). No recorte regional, os maiores impactos foram observados em Pernambuco (31,9%), Bahia (30,3%), Piauí (27,4%) e Minas Gerais (25,0%).

Na energia eólica, o cenário foi semelhante. O curtailment médio atingiu 23,8% no quarto trimestre de 2025. As companhias mais impactadas foram CPFL Energia (37,5%), Copel (37,4%), Equatorial Energia (27,6%), Engie Brasil Energia (25,8%) e Auren Energia (25,6%). Regionalmente, os maiores cortes ocorreram no Rio Grande do Norte (33,7%), Ceará (30,5%), Piauí (19,5%) e Paraíba (18,2%).
Assim como na solar, dezembro trouxe alívio para a eólica, com curtailment de 15,7%, abaixo dos 22,5% de novembro e dos 29,7% registrados em outubro.
Segundo o BTG Pactual, os cortes de natureza energética seguiram como o principal fator de restrição, respondendo por 54% do curtailment eólico e 69% do solar no trimestre. No caso da eólica, os cortes por confiabilidade ganharam peso, enquanto os de natureza elétrica permaneceram residuais — sinal claro de limitações estruturais persistentes no sistema.
A análise reforça que o comportamento do curtailment está diretamente ligado aos gargalos na infraestrutura de transmissão e à forte concentração regional da geração renovável. Apesar do recuo observado no encerramento de 2025, o nível ainda elevado mantém o curtailment como um dos principais riscos operacionais e financeiros para empresas e investidores do setor elétrico brasileiro.





