Fernando de Noronha pode colocar o Brasil no centro de um marco inédito da transição energética global. O arquipélago pernambucano deve se tornar a primeira ilha oceânica habitada do mundo a operar com abastecimento 100% solar, em um projeto que promete substituir completamente a geração baseada em combustíveis fósseis por energia solar com armazenamento em baterias.
Batizada de “Noronha Verde”, a iniciativa é fruto de uma parceria entre o governo brasileiro e a Neoenergia, subsidiária da Iberdrola, e tem previsão de começar a entrar em operação a partir de 2027. A meta é clara: alcançar a descarbonização total do sistema elétrico da ilha até 2030.
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Mais de 30 mil painéis solares e baterias para garantir energia dia e noite
Hoje, Fernando de Noronha ainda depende majoritariamente de geração elétrica a partir de combustíveis fósseis, que precisam ser levados até a ilha. Esse modelo, além de mais caro, amplia os impactos ambientais e a complexidade logística do abastecimento.
O projeto prevê a instalação de mais de 30 mil painéis solares, além de um sistema robusto de armazenamento em baterias, capaz de garantir fornecimento contínuo de energia mesmo à noite ou em momentos de menor incidência solar.
Com investimento estimado em R$ 350 milhões, o plano pretende transformar o arquipélago em uma vitrine internacional de sustentabilidade, mostrando que sistemas isolados também podem migrar para uma matriz limpa e de alta confiabilidade.
Projeto pode virar referência para sistemas isolados no Brasil
A combinação entre geração fotovoltaica e baterias de grande capacidade é justamente o que permitirá que a energia produzida durante o dia seja usada também fora dos horários de sol, assegurando estabilidade no abastecimento.
Segundo Eduardo Capelastegui, CEO da Neoenergia, o projeto representa um avanço importante não apenas para a ilha, mas também para o setor elétrico nacional, por mostrar a viabilidade da geração renovável em um sistema isolado como o de Fernando de Noronha, reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.
Sustentabilidade ganha peso em um dos destinos mais preservados do país
Fernando de Noronha é uma das áreas ambientais mais valiosas e preservadas do Brasil e carrega o título de Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2001. Além da população local, estimada em cerca de 30 mil moradores, a ilha recebe milhares de turistas ao longo do ano, o que amplia a demanda por energia e aumenta a relevância de uma solução mais limpa e eficiente.
A troca do modelo atual também deve gerar ganhos ambientais e econômicos. Além de reduzir a emissão de gases poluentes, o projeto pode diminuir os impactos associados ao transporte de combustível até o arquipélago.
Capelastegui também destaca outro ponto estratégico: com o avanço da geração renovável, há potencial para reduzir o peso de encargos e subsídios atualmente associados à energia produzida por combustíveis fósseis — custos que, hoje, acabam sendo pagos por todos os consumidores brasileiros.





