O mercado solar global entrou em alerta com o fim do incentivo fiscal concedido pela China para a exportação de módulos solares e baterias. A medida, que passou a valer nesta terça-feira (1º), já era aguardada pelo setor, mas deve provocar reflexos nos preços dos equipamentos vendidos em diversos países — entre eles, o Brasil, fortemente dependente da indústria chinesa.
A mudança envolve o encerramento do reembolso do VAT (Value-Added Tax), um benefício tributário que vinha sendo oferecido pelo governo chinês às exportações locais. Na prática, esse mecanismo permitia a devolução de até 9% do imposto para determinados itens da cadeia fotovoltaica, ajudando os fabricantes a reduzir o preço final dos produtos no mercado internacional.
Com o fim do incentivo, os módulos fotovoltaicos deixam de contar com esse benefício já a partir de 1º de abril. No caso das baterias, haverá uma transição: o reembolso cai de 9% para 6% neste mês e será totalmente extinto em 1º de janeiro de 2027.
A partir de agora, esse custo tende a ser absorvido pelos fabricantes e repassado aos preços de exportação, o que pode pressionar o valor dos kits solares em escala global.
O impacto é especialmente relevante para o Brasil. Hoje, mais de 90% dos equipamentos utilizados pelo setor solar brasileiro são fabricados na China, o que torna o mercado nacional bastante sensível a qualquer alteração tributária, industrial ou comercial vinda do país asiático.
Na prática, a decisão pode afetar desde grandes projetos de geração até consumidores residenciais e empresas que planejavam investir em sistemas fotovoltaicos com armazenamento, já que módulos e baterias estão entre os principais componentes dos kits solares.
O movimento também reforça uma preocupação crescente no setor: a forte dependência global da cadeia produtiva chinesa. Quando Pequim altera incentivos ou políticas de exportação, os efeitos rapidamente se espalham pelo mercado internacional, influenciando preços, margens e estratégias de investimento.





