Golpe da energia solar – O que começou como uma aposta em economia na conta de luz e em sustentabilidade terminou em prejuízo e frustração para dezenas de famílias no Piauí. Pelo menos 39 pessoas afirmam ter sido vítimas de um suposto golpe envolvendo a venda e instalação de sistemas de energia solar fotovoltaica, em um caso que já soma quase R$ 1 milhão em perdas.
Segundo os relatos, os consumidores contratavam a empresa HGS Engenharia e Consultoria para fornecer e instalar os equipamentos, faziam pagamentos antecipados — em alguns casos com valores altos à vista —, mas os sistemas não eram entregues e, depois disso, o contato com a empresa se tornava cada vez mais difícil.
As vítimas afirmam que o responsável pelo negócio apresentava projetos, formalizava contratos e solicitava entradas significativas para a compra dos equipamentos. No entanto, após o pagamento, os prazos deixavam de ser cumpridos, novas justificativas surgiam em sequência e, por fim, os clientes já não conseguiam mais retorno.
Uma das vítimas contou à TV Clube que assinou contrato no fim de dezembro e fez um pagamento de R$ 25 mil para aquisição do material e instalação do sistema. O prazo informado, segundo o relato, era de 15 dias. Quando a entrega não ocorreu, começaram as desculpas: problemas com transportadora, alteração no local de entrega e promessas de chegada do material na semana seguinte.
Ainda segundo essa vítima, ao voltar à empresa em fevereiro, encontrou o escritório fechado e foi informada de que a companhia havia falido.
Com o aumento do número de casos, os clientes passaram a se organizar em grupos de WhatsApp para trocar informações, reunir provas e discutir a adoção de medidas judiciais coletivas.
O advogado Kaléo Peres, da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB, explicou que tanto a pessoa física quanto a empresa que deixam de cumprir a prestação do serviço ofertado podem ser responsabilizadas nas esferas civil e penal.
O que diz a defesa
Em nota, a defesa do proprietário da empresa informou que a situação está sendo tratada judicialmente, dentro de um processo de recuperação judicial em Teresina. Segundo a manifestação, a empresa teria sido impactada por uma crise no setor de energia solar, o que teria comprometido a execução dos contratos.
A nota acrescenta ainda que a companhia busca uma reorganização financeira para quitar os débitos, conforme determinação da Justiça.
O caso acende um alerta importante para consumidores interessados em investir em energia solar: em um mercado em expansão, a promessa de economia e autonomia energética pode virar dor de cabeça quando faltam garantias, transparência e segurança na contratação.





