Uma nova decisão do Governo Federal, aprovada nesta quarta-feira (28), acendeu o alerta no mercado de energia solar: equipamentos essenciais para projetos fotovoltaicos podem ficar ainda mais caros nos próximos dias. O motivo é o aumento do imposto de importação que atinge diretamente itens como inversores, microinversores, sistemas de armazenamento de energia (BESS) e geradores fotovoltaicos importados com potência acima de 75 kW.
A notícia chega em um momento delicado para o setor, que já vinha sentindo o peso da alta das matérias-primas e também dos impactos gerados pela retirada de incentivos fiscais do governo chinês sobre módulos fotovoltaicos. Agora, com o novo realinhamento tarifário, distribuidores ouvidos pelo Canal Solar apontam um efeito praticamente inevitável: o aumento deve ser repassado ao cliente final.
Com margens cada vez mais apertadas, as empresas afirmam que não há espaço para absorver a mudança. “Qualquer aumento que ocorrer, terá que ser repassado. É certeza: vai ter (novo) aumento”, declarou um dos entrevistados.
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O que muda na prática
A medida aprovada determina um realinhamento das alíquotas do Imposto de Importação, reorganizando os percentuais em três patamares principais. Segundo a nota técnica do Governo, a proposta prevê:
- bens com alíquotas abaixo de 7,0% → sobem para 7,0%
- bens com alíquotas acima de 7,0% até 12,6% → sobem para 12,6%
- bens de BK (bens de capital) e BIT (bens de informática e telecomunicações) com alíquota acima de 12,7% até 20,0% → sobem para 20,0%
Além disso, o Governo reforça que as alíquotas desses dois grupos passam a se concentrar em 7,0%, 12,6% e 20,0%, mantendo exceções já aprovadas pelo GECEX (inclusive casos acima de 20%) e uma exceção específica para produtos estratégicos de BIT voltados para datacenters.
Um detalhe importante: a proposta inicial falava em 7%, mas o Gecex elevou para 7,2% para respeitar os padrões tarifários da Tarifa Externa Comum.
Não é só energia solar
Apesar do impacto forte no setor fotovoltaico, o pacote não se limita à energia: ele afeta todos os itens classificados como BK e BIT, incluindo:
- máquinas industriais
- equipamentos elétricos
- componentes eletrônicos
- sistemas de automação e telecomunicações
Ou seja: na prática, o realinhamento pode influenciar preços, investimentos e decisões de compra em diferentes cadeias produtivas.
A decisão foi aprovada na 233ª Reunião Ordinária do Gecex e passa a valer após publicação no DOU (Diário Oficial da União), prevista para os próximos dias.
E os módulos fotovoltaicos?
Os módulos fotovoltaicos não entram nessa nova rodada: eles já tiveram a alíquota recomposta anteriormente e seguem com 25%. Como a regra aprovada agora se limita a alíquotas de até 20%, os módulos ficam fora do realinhamento.
Já para NCMs que hoje têm alíquota zero e não estão em ex-tarifários, o Gecex informou que a mudança só passa a valer a partir de 1º de março, dando tempo para importadores solicitarem o enquadramento no regime especial.





