A maior hidrelétrica do Brasil está prestes a ganhar uma “irmã solar”. Itaipu concluiu a primeira fase de montagem de uma ilha flutuante com 1.568 placas fotovoltaicas instalada diretamente sobre o reservatório do Rio Paraná. A estrutura ocupa 7,6 mil m² — quase o tamanho de um campo de futebol — e deve começar a gerar energia limpa já em novembro, com potência de 1 MWp, suficiente para abastecer 650 casas.
A instalação, feita pelo consórcio Sunlution (Brasil) e Luxacril (Paraguai), custou US$ 854 mil (R$ 4,5 milhões) e exigiu cuidados extras por estar próxima ao vertedouro e à área náutica da usina. O cronograma precisou ser ajustado por causa das chuvas, mas agora o projeto segue para os testes finais. Assim que entrar em operação, a ilha passará por um ano de monitoramento ambiental, observando desde a qualidade da água até possíveis mudanças no comportamento de peixes e aves.
O mais impressionante é o potencial de expansão: estudos da própria Itaipu indicam que cobrir apenas 1% do lago com placas solares poderia gerar 3,6 TWh por ano — o equivalente a 4% da produção hidrelétrica de 2023. E se 10% do reservatório fosse aproveitado, a usina dobraria sua capacidade atual, deixando de ser apenas uma hidrelétrica para se tornar um gigante híbrido de geração renovável.
Enquanto celebra o recorde de 3,1 bilhões de MWh produzidos desde 1984, Itaipu mostra que não quer parar no tempo: além da energia solar, também investe em hidrogênio verde, biogás e biocombustíveis — incluindo projetos que transformam cargas de contrabando apreendidas em energia.





