Ônibus movido a fezes humanas já roda mais de 40 mil km em Barcelona

Ônibus

Um projeto inusitado vem chamando a atenção na Europa ao mostrar que o futuro do transporte pode estar onde menos se imagina. Em Barcelona, um ônibus urbano já percorreu mais de 40 mil quilômetros utilizando biometano produzido a partir de fezes humanas, sem depender de álcool, gasolina ou diesel.

Em operação contínua há pouco mais de três anos, a iniciativa prova que resíduos urbanos podem se transformar em combustível limpo e eficiente. O veículo circula normalmente pela cidade, sem diferenças visíveis em relação aos demais ônibus da frota, mas carrega uma solução que reforça o debate sobre reaproveitamento de resíduos e transição energética nas grandes cidades.

O combustível é gerado durante o tratamento de águas residuais. A matéria orgânica retirada do esgoto passa por um processo de decomposição, produzindo biogás que, após purificação, se transforma em biometano capaz de abastecer o transporte público. Segundo o jornal Le Monde, o gás utilizado no projeto é resultado dos dejetos de mais de 1,5 milhão de habitantes da capital catalã.

Na prática, o saneamento deixa de ser apenas um serviço básico e passa a integrar um sistema de economia circular, no qual resíduos antes descartados ganham valor energético. Desde a implantação do projeto, há cerca de 39 meses, o ônibus já ultrapassou 42 mil quilômetros rodados, com uma média anual superior a 14 mil quilômetros movidos exclusivamente a biometano.

Os benefícios ambientais também são expressivos. A iniciativa reduziu em mais de 85% a pegada de carbono do veículo e aumentou em 70% o aproveitamento energético do biogás gerado no tratamento de esgoto. Os números reforçam o potencial de replicação do modelo em outras cidades, sem exigir grandes mudanças operacionais na infraestrutura de transporte.

Batizado de Life Nimbus, o projeto é fruto da colaboração entre os setores de água e transporte de Barcelona, centros de pesquisa e a Universidade Autônoma de Barcelona, garantindo base científica e técnica à iniciativa.

Entre os moradores, a proposta gera curiosidade e aceitação. Em entrevista ao Le Monde, a moradora Rosa Maria Gay resumiu a ideia de forma direta: “Já aproveitamos os dejetos dos animais, então por que não os nossos?”. Já a estudante Alessandra Spano destacou o aspecto prático: “Se é energia renovável e não tem mau cheiro, acho ótimo”.

Veja mais Notícias

Conheça o Azume

Compartilhe esta notícia:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Inscreva-se para receber novidades e promoções

© 2023 · E4 Energias Renovaveis© – CNPJ 41.142.800/0001-24 / Azume Tecnologia LTDA - CNPJ 49.305.545/0001-03 - Todos os direitos reservados