A solar flutuante chegou à aquicultura chilena com um objetivo bem definido: tirar o diesel do centro de cultivo. No centro Huar Norte, na região de Los Lagos, um sistema fotovoltaico instalado sobre a água passou a substituir parte da geração a combustível e deve evitar o consumo de cerca de 139,2 mil litros de diesel por ano.
Segundo o AKVA Group, trata-se do primeiro arranjo flutuante desse tipo no Chile. O projeto foi comissionado em março de 2025 e contou com tecnologias da Alotta Energy e da Fjord Maritime, desenhadas para resistir às condições de vento e maré típicas do litoral sul chileno.
Índice
Números do projeto
Com 300 kWp de potência instalada, o sistema passou a suprir cerca de 57% da demanda elétrica da fazenda. A economia de diesel projetada equivale a deixar de emitir aproximadamente 350 toneladas de dióxido de carbono por ano — além de reduzir a frequência do transporte marítimo de combustível, uma operação cara e de risco ambiental elevado em áreas isoladas.
Benefícios que vão além da conta de energia
A substituição parcial dos geradores traz efeitos colaterais positivos para a própria produção. Com menos motores a combustão em funcionamento, cai o ruído nas proximidades dos tanques, fator que influencia diretamente o comportamento e o estresse dos peixes. As estruturas flutuantes também criam zonas de sombra parcial na superfície, atenuando variações bruscas de temperatura e favorecendo um ganho de peso mais uniforme dos cardumes.
Há ainda um ganho logístico relevante. Em unidades remotas, o abastecimento depende de fretes marítimos recorrentes, com custo elevado e risco de vazamento. Ao gerar energia no próprio local, a fazenda ganha autonomia operacional e reduz as horas de uso dos geradores, o que prolonga a vida útil dos equipamentos de contingência e diminui despesas de manutenção.
Engenharia sobre água salgada
Instalar módulos fotovoltaicos em ambiente marinho impõe exigências que não existem em terra. As bases flutuantes utilizam polímeros flexíveis capazes de absorver o impacto contínuo das ondas sem fissurar, enquanto toda a fiação recebe blindagem reforçada para resistir à corrosão e à umidade salina permanente. Sistemas de monitoramento remoto acompanham a geração e distribuem a carga de forma equilibrada entre os pontos de consumo.
Um caminho para o setor
O modelo aponta uma direção interessante para a expansão fotovoltaica: aproveitar superfícies aquáticas já ocupadas por atividades produtivas, sem competir por terras agricultáveis. Para indústrias isoladas — aquicultura, mineração, plataformas —, a geração distribuída sobre a água resolve simultaneamente um problema de custo e um de pegada de carbono. Os resultados do caso chileno devem ser acompanhados de perto por operadores de outros países da América do Sul que enfrentam o mesmo gargalo logístico.





